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Campeonato Brasileiro 1986

Guarani 3 (3) x 3 (4) SP – Brasileiro de 1986

O ano de 1986 ficaria marcado na história do São Paulo por dois motivos principais. O primeiro seria a conquista do segundo título nacional do clube, e o segundo o surgimento no Tricolor de um ídolo como poucos já vistos.

Careca chegou ao clube em 1983, em baixa no futebol do país. Havia deixado de disputar a Copa de 1982 devido a uma ruptura do ligamento cruzado anterior de um dos joelhos e uma cirurgia para a retirada do menisco externo. No primeiro jogo com a camisa de três cores, perdeu dois gols de pênalti, contra o Grêmio. Um pouco depois ficou seriamente doente, contraindo hepatite. Recuperado, conseguiu ser artilheiro do Paulistão de 1985, marcando 23 gols, e vice-artilheiro da seleção no Mundial de 1986, com cinco gols, balançando as redes uma vez em cada jogo.

Chegou o ano de 1986 e o São Paulo disputaria o Campeonato Brasileiro com algumas novidades. O treinador não seria mais Cilinho, e sim Pepe (José Macia), e Falcão havia decidido encerrar a carreira após a Copa. Em um início arrebatador, o time conseguiu dez vitórias e seis empates, sendo derrotado pela primeira vez na 17ª rodada pelo Treze, da Paraíba.

Chegando às oitavas-de-final não houve mais tranqüilidade. Contra a Inter de Limeira o Tricolor foi derrotado por 2 x 1 na casa do adversário, mas venceu por 3 x 0 no Morumbi. Nas quartas, contra o Fluminense, derrota de 1 x 0 no Rio e vitória por 2 x 0 em São Paulo. Nas semi, contra o América do Rio, 1 x 0 para o Tricolor, que jogava em casa. Na volta, em um Maracanã cheio, 1 x 1 e vaga para a final garantida. Os dois gols do São Paulo foram marcados brilhantemente por Careca.

Na decisão o time iria encarar o Guarani, time cheio de promessas como Ricardo Rocha e Evair, além do ala João Paulo. Na primeira partida, no Morumbi, seguindo as ordens de Pepe, o Tricolor conseguiu segurar a principal jogada do time de Campinas por quase todo o jogo, mas em um descuido da defesa João Paulo cruzou Evair mandou para o gol, abrindo o placar das finais. Mas Careca não queria deixar a artilharia do Brasileirão escapar, e empatou três minutos depois após o rebote do chute de Müller. Assim, o jogo de Campinas definiria o campeão nacional daquele ano.

O Brinco de Ouro da Princesa recebia quase 40 mil espectadores na véspera do carnaval para acompanhar a decisão, que de acordo com um consenso geral, foi a mais emocionante da história dos Campeonatos Brasileiros. A televisão registrava uma audiência imensa, com milhões e milhões de brasileiros de olho na partida de Campinas.

E logo aos dois minutos de jogo o Guarani conseguiu abrir a vantagem: João Paulo, sempre ele, cruzou, o arqueiro tricolor Gilmar não conseguiu cortar e Nelsinho acaba marcando contra. O gol concretizava a super-confiança que a equipe alvi-verde vinha mostrando. Os bugrinos tinham certeza de que iriam conquistar o título.

Mas o Tricolor não iria deixar a oportunidade do segundo título brasileiro escapar, não com Careca em campo. Assim, antes dos dez minutos, o São Paulo conseguiu empatar. Pita cobra escanteio, Bernardo cabeceia e a bola entra, ainda resvalando em Ricardo Rocha. A partir daí o jogo é só movimentação, mas a melhor chance do primeiro tempo veio com Müller, que mandou um belo chute na trave. O jogo seguiu movimentado na segunda etapa, mas sem gols, e terminou com a expulsão de Vágner, do Guarani.

Com o empate, o jogo iria para o prorrogação que, por incrível que pareça, conseguiu ser melhor do que o tempo regulamentar. Logo no primeiro minuto o São Paulo consegue abrir vantagem: Rômulo lança Müller, que avança e cruza para Pita concluir. Mas a felicidade dos são-paulinos durou apenas seis minutos, pois o Bugre conseguiu o empate com Boiadeiro, em escanteio batido por João Paulo, sempre ele.

O primeiro tempo de prorrogação termina com o resultado igual, e logo vem a segunda etapa e mais emoção. Aos cinco minutos Wagner Basílio perde a bola para João Paulo, sempre ele, que arranca em direção ao gol de Gilmar e conseguemandar para dentro, 3 x 2 Guarani.

Naquele momento de jogo, com a torcida a favor e o time já cansado, o São Paulo já era visto como derrotado, mas não para um time que tinha Careca, o incansável. Faltando um minuto, sim, um minuto para o Guarani se tornar o Campeão Brasileiro daquele ano, uma jogada que parecia sem objetivos acabou fazendo o Tricolor empatar o embate. Wagner dá um bicão em direção à área, Pita ganha de Ricardo Rocha no alto e a bola sobra para quem sabe. Careca pega de primeira e empata novamente a disputa, levando a decisão para os penais.

Chega o momento dos pênaltis, já depois da meia-noite, e as duas primeiras cobranças vão parar nas mãos dos goleiros: Boiadeiro perde pelo Guarani, e o destino faz o grande Careca mandar a bola nas mãos de Sérgio Néri. O campeonato continuava sem dono.

Na segunda rodada de cobranças, Tosin, pelo Bugre, e Dario Pereira, pelo Tricolor, mandam para as redes. Chega a vez de João Paulo, sempre ele, mas dessa vez o jogador manda a bola para cima do gol e dá a vantagem para o São Paulo. Nas cobranças seguintes, Fonseca, Valdir Carioca, Rômulo e Evair concluem para o gol, e o título seria decidido por Wagner Basílio, que bateria o último penal. Justo ele, zagueiro, sem muita técnica, e que havia falhado no terceiro gol do Guarani.

Nervoso, o jogador ajeita a bola e deixa o goleiro perceber a ansiedade. Mas nem as provocações de Sérgio Néri impediram a bola de entrar e, assim, fazer com que o São Paulo conquistasse o segundo título nacional de sua história.


SPFC x GUARANI

Data: 25 de fevereiro de 1987
Local: Brinco de Ouro da Princesa, em Campinas (SP)
Juiz: José de Assis Aragão (SP)
Público: 37.370 pagantes
Renda: CZ$ 4.222,000

Guarani: Sergio Néri, Marco Antonio, Valdir Carioca, Ricardo Rocha e Zé Mario; Tosin, Tite, (Vágner) e Marco Antonio Boiadeiro; Catatau (Chiquinho Carioca), Evair e João Paulo. Técnico: Carlos Gainete.

SPFC: Gilmar, Fonseca, Wagner, Basílio, Dario Pereyra e Nelsinho; Bernardo, Silas (Manu) e Pita; Muller, Careca e Sidney (Rômulo). Técnico: Pepe

Gols: Tempo regulamentar - Nelsinho (contra, aos 2’) e Bernardo (aos 9’).
Prorrogação – Pita (1’), Boiadeiro (7’), João Paulo (5’) e Careca (14’).
Pênaltis - Dario Pereyra, Fonseca, Rômulo e Wagner Basílio para o SPFC.
Erraram para o Gurani Boiadeiro e João Paulo (Tosin, Valdir Carioca e Evair acertaram)

Artilheiros: O artilheiro do São Paulo e do campeonato foi Careca, com 25  gols, seguido por Muller (11), Silas (9), Pita (5), Zé Teodoro e Bernardo (3 cada), Sidney (2), Nelsinho, Dario Pereyra, Éder Taino e Pianelli (1 cada).

Texto de Ana Luiza Rosa/Estação Tricolor

 

 

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